25 fevereiro 2008

correu bem, não correu?

Estivemos este sábado em Guimarães com o espectáculo "Adúlteros Desorientados". Foi no café-concerto do Centro Cultural Vila Flor. A equipa técnica foi fantástica e criou as soluções ideais de rotação dos espectáculos pelo palco. O público era bastante e aderiu ao espectáculo. No final a produção do Vila Flor deu-nos os parabéns; o público do café-concerto ainda precisa de ser trabalhado - normalmente não faz silêncio durante os espectáculos. Connosco, com o Pedro, fez. Que bom!

Correu bem, não correu?
Não, não correu.

Porque nós não íamos fazer um espectáculo para o público do café-concerto. Nós íamos fazer um espectáculo para a Expocultura. E isso não correu nada bem.

A aposta era simples: nós oferecemos um espectáculo a um evento que nos oferece um público especializado, potenciando as possibilidades de circulação do nosso trabalho. Mas o público especializado não estava lá. O espectáculo teve até de ser adiado das 21h (o horário da expocultura) para as 21h30 (o horário normal para o público em geral).

E porque correu mal a Expocultura?
Porque em Portugal não há tradição deste tipo de coisas. Claro!
E porque os programadores estão habituados ao conforto dos menus e encomendas. Claro!
E porque os criadores também arriscam pouco nestas coisas. Claro!
Mas também porque a organização pensou mais na forma do que no conteúdo. E formalmente o relatório até não será mau de todo. No papel, claro. Só no papel.

Não basta dizer que se proporciona o encontro. É preciso criá-lo activamente. Porque não foram distribuídas fichas de contactos de criadores e programadores presentes na Expocultura ou nos encontros Alcultur? Porque não se teve uma política activa de levar os programadores a conhecer os trabalhos dos Showcases? Porque não se criaram os mecanismos para fazer chegar informação dos criadores aos programadores? (veja-se o exemplo galego descrito pelo João). Porque ficou a sensação de que quem arriscou com a organização foi mais um peso do que um parceiro?

Digo sempre, e repito, que lutar contra o estado de coisas é difícil e é tarefa colectiva. Fácil é dizer mal de quem tenta dar qualquer passo só porque não se chega à meta logo à primeira passada. Mas a boa vontade e solidariedade para com que arrisca primeiros passos - que justificou a nossa adesão ao evento - não pode impedir a crítica.

Uma apontamento final, que não tendo importância efectiva, é revelador: no fim do espectáculo a equipa do Centro Cultural Vila Flor agradeceu e deu os parabéns ao Visões Úteis. Da equipa da Cultideias, a organizadora do evento, nem uma palavra.

21 fevereiro 2008

Cidade de catálogo, ou as loucuras do poder e dos arquitectos

Se as pessoas fossem imagens de computador era perfeito. Passeariam incessantemente por entre praças sem relva e sem sombra e não sentiriam o frio do bancos de granito liso. Também não sentiriam falta do Bolhão. Até porque não comeriam verdes nem teriam cheiro.

18 fevereiro 2008

a cidade do inacreditável

Conseguem imaginar o Porto sem o Mercado do Bolhão?
Faz isto algum sentido?
É como mudar de nome de um dia para o outro porque o de família é difícil de soletrar.
Esta não é uma cidade. É um espaço irreal criado à medida dos pesadelos de um louco.
O Rivoli foi oferecido a um empresário, o pavilhão Rosa Mota segue o mesmo caminho. A praça de Lisboa é da Bragaparques. O Mercado do Bolhão é para ir abaixo. Mas pode fazer-se snowboard na rua 1º de Janeiro.
O resto do país encolhe os ombros. "Isso é lá com eles." Com os tripeiros do sotaque bronco. Como também é com eles. Os madeirenses com a sua língua incompreensível. Até que todo o país há de ser uma sucessão de ilhas de eles, com os seus sotaques estúpidos e as suas manias boçais. E quem puder vai viver para Bruxelas. Defender as identidades plurais do mundo globalizado.

A petição em defesa do Mercado do Bolhão está aqui.

13 fevereiro 2008

o roubo dos sete anões

Entraram os sete no prédio. Um prédio de sete andares.
O Atchim chegou ao 1º andar e entre dois espirros desmontou a fechadura. O Mestre dedicou-se ao 2º andar e serrou com perfeição uma das almofadas da porta. O Dunga fez dois buracos nas duas fechaduras do 3º andar. O Dengoso foi entrando no 4º andar como se nada fosse. O Zangado ficou com o 5º andar e partiu a porta com um maço. O Soneca foi de elevador até ao 6º andar. A porta não abriu e ele adormeceu lá dentro. O Feliz subiu até ao 7º e encontrou a porta no trinco. Entrou, carregou os computadores e telefones portáteis e deliciou-se com o recheio do frigorífico. Ao descer acordou o Soneca.

Até ver esta é a explicação mais plausível para um assalto da noite passada. Os ladrões entraram em todos os andares, excepto no 6º. A sede do Visões Úteis. Aceitam-se outras versões.

A propósito, ou talvez não, hoje no Público li que as rendas dos escritórios no Porto tem tido aumentos comparáveis com os de Londres. Mais um mistério, ou mais um sinal de uma cidade de muros e fossos? Como a deste map from memory?


10 fevereiro 2008

O senhor nunca quis ser presidente da câmara

E é por isso natural que não se queira preocupar com teatros municipais, ou pavilhões desportivos da autarquia ou mercados ou o que seja. Quem não acha normal a privatização total de uma cidade pode, entre outras coisas, juntar o seu nome a outros em nome do Mercado do Bolhão. Temos muito pouco tempo.