01 junho 2007

A eloquência da Cidade

Quando entram no táxi sabem que é um espectáculo com o Porto como cenário. Mas rapidamente esquecem tudo. Há quem não sinta a segurança do espectáculo e tenha medo da cidade. E há quem não acredite que este é só mais um dia na cidade e veja em tudo gestos encenados. Os espectadores do "Resto do Mundo" vivem na pele a fusão entre ficção e realidade. É a eloquência da cidade. Ou será medo? Medo da cidade? Algum medo também desta particular relação com os actores? (só cá estamos nós, sentimos as respirações uns dos outros, nós no banco de trás, eles no banco da frente, tão próximos uns dos outros, nós tão dependentes deles, eles a verem-nos tão bem como nós os vemos a eles) Ou tudo um pouco?

Dizem-me "Sempre quero ver onde é que vocês me levam!", com o tom de quem acrescenta: A mim, que conheço tão bem o Porto. É o "fascínio do abominável" (nas palavras de Marlow), provocado pela certeza de que há uma cidade desconhecida, misturado com a adrenalina da entrega a um objecto que não se controla; são vocês que me levam.

Maio ainda não tinha acabado e o espectáculo estava esgotado até ao fim (em meados de Julho). Que um espectáculo que só pode ser usufruído por três pessoas de cada vez esgote depressa parece normal. Mas a esta antecedência, nesta cidade e para este tipo de objectos, surpreende.

3 comentários:

Mariana disse...

eu também quero! não querem fazer uma sessão especial para padrinhas? estou muito contente que esteja a correr bem.
beijinhos.

Henrique disse...

E já apareces na teelvisão, e tudo. Gostei de te ver.

Henrique disse...

Mas ainda não percebi bem o que é este espetáculo.