27 agosto 2008

Socialismo 2008

Há cerca de um ano – em Setembro de 2007 – foi divulgado pela Comissão Europeia um Eurobarómetro especial sobre os valores culturais da Europa. Esse estudo revelou dados preocupantes sobre Portugal. Mas teve algum efeito?

Mais de metade dos Europeus considera a Europa como “o continente da cultura”. Os portugueses são dos mais entusiastas desta definição da Europa: não só 82% dos inquiridos consideram a Europa como o continente da cultura como 80% consideram que a sua grande riqueza se deve à sua diversidade. E 74% consideram a cultura importante para a sua vida.

A cultura é algo de muito vasto, mas parece indubitavelmente ligada à arte: 25% quando pensa em cultura pensa em artes performativas e visuais, literatura, educação e ciência (respostas como civilização, modo de vida, tempos livres, crenças ou valores foram dadas por menos de 15% dos inquiridos portugueses).

Paradoxalmente, nos 12 meses que antecederam o inquérito, 90% não tinha visto ópera, ballet ou dança, 81% não tinha ido uma única vez ao teatro, 76% não assistira a qualquer concerto, ou visitara qualquer museu ou galeria, 75% não tinha entrado numa biblioteca. E 73% dos inquiridos portugueses declararam ainda não ter participado em qualquer tipo de organização, associação ou grupo informal em que pudesse tocar um instrumento, cantar, dançar, escrever, pintar, esculpir, fotografar, filmar, ou mesmo fazer qualquer tipo de artesanato, decoração, jardinagem, etc...

Quando inquiridos sobre os obstáculos no acesso e participação em actividades culturais, as respostas dividem-se: falta de interesse, falta de tempo, falta de dinheiro, falta de informação. Que faltas são estas? Que perguntas temos de fazer à nossa “vida cultural”?

A programação cultural tem ou não interesse para as pessoas que é suposto servir? Consegue atraí-las de alguma forma? É tão diversificada, cultural, social e geracionalmente, como a população portuguesa? Existe formação de públicos? O que é um serviço educativo? Para que servem os programadores?

Qual é a importância das instituições culturais no desenho das nossas cidades? Os equipamentos culturais são fáceis de encontrar? São bem servidos por transportes públicos? Qual é a sua visibilidade, e a da sua programação, na vida quotidiana?

E quem paga a arte? Pode ser sem custos para o utilizador? Ou só para alguns? Ou só nalguns dias? Quão fácil é saber em que dia se pode ir ao museu mais perto de casa sem pagar? Ou se uma família pode ir ao teatro a preços reduzidos? Quanto tempo é preciso gastar para se perceber como aceder a arte sem gastar muito?

E quando um evento cultural bate records de público? Ficamos tão contentes que o quotidiano deixa de ser um problema?

No dia 31 de Agosto às 10h30 vou conversar sobre "Construir o impossível: identidade, arte e quotidiano".

3 comentários:

Quarta disse...

Eu creio que deves querer dizer "31 de Agosto"...

catarina disse...

ups...
corrigido.
obrigada!

JM disse...

Espero que o debate, daqui a umas horas, seja produtivo e compense a energia que lhe dedicaste.
O que partilhas aqui, no blog, é mais do que suficiente para indicar caminhos relevantes e lúcidos para um futuro melhor. Mais equilibrado e justo.
Obrigado.