01 agosto 2010

Prestar Contas – iniciativas na área da Cultura

No final da sessão legislativa, aqui fica, em jeito de prestação de contas, a lista das diferentes iniciativas levadas a cabo pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na área da Cultura. Agradecemos a tod@s quant@s nos fizeram chegar informações, críticas e sugestões, bem como a tod@s que tiveram a disponibilidade e a generosidade de colaborar connosco em tantas destas iniciativas.




Actividade do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na área da Cultura na 1ª Sessão Legislativa da XI Legislatura

Apresentámos as seguintes iniciativas legislativas:

Projectos de Lei

1. Estabelece o regime social e de segurança social dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual

2. Estabelece o regime laboral e de certificação profissional dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual

3. Estabelece um regime especial de segurança social e de reinserção profissional para os bailarinos de bailado clássico e contemporâneo

4. Incentiva o voluntariado

5. Regula a actividade das associações sem fins lucrativos que se dedicam a actividades culturais, recreativas ou desportivas e cria o CNA

6. Apoia o movimento associativo popular

7. Apoia e promove a renovação das artes circenses

8. Clarifica o conceito de promotor previsto no código do IVA e referente à isenção no âmbito prestações artísticas

9. Cria a Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses

10. Altera a forma de designação da administração da RTP e estabelece a obrigatoriedade de definição de um programa estratégico de serviço público

11. Serviço universal de acesso a banda larga

Projectos de Resolução

1. Recomenda ao Governo a criação da modalidade de apoio a “primeiras obras” no âmbito dos apoios directos às artes atribuídos pelo Ministério da Cultura

2. Recomenda ao Governo a suspensão de todas as acções relativas à transferência e criação de novos museus no eixo Ajuda/Belém até à elaboração de um plano estratégico

3. Recomenda ao Governo que promova a inserção da RTP Açores e RTP Madeira nos pacotes de televisão por cabo de todo o território e que promova o acesso gratuito ao canal 2 da RTP nas Regiões Autónomas

4. Apoio à Candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (projecto de resolução de todas as bancadas parlamentares)

5. Recomenda ao Governo a não alienação da Tobis Portuguesa SA

6. Recomenda ao Governo a adopção de medidas para protecção do Museu da Cortiça

Destas iniciativas, os projectos-lei sobre regime social e de segurança social e regime laboral e certificação profissional dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual, foram aprovados na generalidade e estão agora em fase de debate de especialidade no Grupo de Trabalho criado para o efeito no seio da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública.

Foram aprovados e publicados os projecto de resolução para criação da modalidade de apoio a “primeiras obras” e para suspensão das alterações no eixo de museus Ajuda/Belém até à elaboração de plano estratégico

Agendámos um debate de actualidade sobre os cortes no financiamento público à Cultura

Foram requeridas as audições na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura

1. da Ministra da Cultura, a propósito do plano “museus para o século XXI” e sobre a estratégia para o sector cultural

2. do Director Geral das Artes, a propósito dos atrasos nos concursos de apoio às artes.

Promovemos as seguintes audições e encontros públicos

1. Sessões públicas sobre cultura em 22 concelhos e abrangendo os 18 distritos de Portugal Continental

2. Audição parlamentar sobre o Projecto-Lei para a Criação da Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses

Entregámos os seguintes requerimentos e perguntas ao Governo

1. Atraso no pagamento de verbas protocoladas no âmbito da Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 (R)

2. Reestruturação da Tobis Portuguesa, SA (R)

3. Protocolo assinado com a Câmara Municipal de Lisboa relativo às instalações do Convento da Graça (R)

4. Conceito de promotor para efeitos de isenção de IVA ao abrigo do nº 15 do artigo 9º do código do IVA (R), Alteração de interpretação do conceito de promotor para efeitos de isenção de IVA ao abrigo do n.º 15 do artigo 9.º do código do IVA (R) e Alteração de interpretação do conceito de promotor para efeitos de isenção de IVA ao abrigo do nº 15 do artigo 9º do código do IVA (R)

5. Acções inspectivas na Fundação de Serralves, no concelho e distrito do Porto (R)

6. Parecer relativo a eventual "agravamento" das condições geotécnicas do edifício da Cordoaria Nacional, face às condições existentes no Mosteiro dos Jerónimos (R) e Parecer relativo a condições geologias e geotécnicas da Cordoaria Nacional para instalação no local do Museu Nacional de Arqueologia (R)

7. Construção de parque de estacionamento subterrâneo junto a Monumento Nacional,na freguesia da Ajuda,concelho de Lisboa (R)

8. Classificação do Edifício Ritz Club (R)

9. Torre Ferroviária de Cottinelli Telmo, freguesia do Pinhal Novo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal (R)

10. Encerramento do Centro de Artes Tradicionais/Antigo Museu do Artesanto, concelho e distrito de Évora (R)

11. Suspensão parcial do Plano Director Municipal referente a parte das instalações do Convento da Graça (R)

12. Fim da isenção de Imposto Municipal sobre imóveis no Centro Histórico de Évora (P)

13. Actuação do Igespar na construção de esplanadas na praça Parada Leitão, Porto (P)

14. Não atribuição de verbas à Juventude Musical Portuguesa (P)

15. Atrasos de mais de um ano na contratualização de apoios do Instituto de Cinema e Audiovisual (P)

16. Decisões de exclusão sem fundamento e ausência de resposta a recursos no âmbito dos concursos de apoio directo às artes pela Direcção Geral das Artes (P)

17. Exclusão do Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema do Programa europeu Media (P)

18. Demolição da Igreja de S. Paulo, Elvas (P), Demolição da Igreja de S. Paulo, Elvas (P) e Demolição da Igreja de S. Paulo, Elvas (P)

19. Abandono e degradação do Monumento Nacional Castro de Arados (P)

20. Encerramento do Centro de Artes Tradicionais/Antigo Museu do Artesanato, concelho e distrito de Évora (P) e Encerramento do Centro de Artes Tradicionais/Antigo Museu do Artesanato, concelho e distrito de Évora (P)

21. Atraso no pagamento de verbas protocoladas no âmbito da Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 (P)

22. Professores da Escola Artística da Marinha Grande com salários em atraso há 4 meses (P) e Professores da Escola Artística da Marinha Grande com salários em atraso há 4 meses (P)

23. Encerramento de salas de cinema na cidade do Porto (P)

24. Degradação do Monumento Nacional megalítico de Belas (P)

25. Incumprimento de compromissos contratuais por parte do Ministério da Cultura (P)

26. Não abertura das infra-estruturas de apoio aos visitantes da estação arqueológico do Freixo, concelho de Marco de Canaveses (P)

27. Situação dos apoios directos às artes pela Direcção Geral das Artes Face à anunciada cativação de verbas do orçamento do Ministério da Cultura (P)

28. Soluções alternativas à sala de leitura em obras da Biblioteca Nacional (P) e Soluções alternativas à sala de leitura em obras da Biblioteca Nacional (P)

29. Inexistência de apoios à internacionalização das artes (P) e Inexistência de apoios à internacionalização das artes (P)

30. Alteração à Lei da Rádio e defesa da música portuguesa (P)

31. Falta de meios técnicos e humanos no serviço público de Rádio e Televisão na Madeira (P)

32. Quebra de protocolo para reabilitação das Termas Romanas de São Pedro do Sul (P)

33. Atrasos nos concursos anuais de apoio directo às artes pelo Ministério (P)

34. Intenção de concessão ou venda do Quartel da Graça, no concelho de Lisboa, classificado como Monumento Nacional (P) e Intenção de concessão ou venda do Quartel da Graça, no concelho de Lisboa, classificado de Monumento Nacional (P)

35. Transição de Museus para tutelas municipais (P)

36. Atrasos nos concursos do apoio directo às artes pelo Ministério da Cultura; inviabilização dos programas pontuais para o primeiro semestre de 2010 (P)

37. Clarificação sobre o processo de classificação da Escola Superior de Design das Caldas da Rainha (P)

38. Situação na Tobis Portuguesa SA (P)

39. Incerteza e insegurança na comunidade artística por liquidações indevidas de IVA e multiplicidade de critérios da Administração Fiscal (P)

40. Liquidações ilegítimas de IVA a artistas e multiplicidade de critérios da Administração Fiscal (P)

41. Falta de meios e indefinição no serviço público de Rádio e Televisão nos Açores (P)

42. Gestão do Museu Abade de Baçal, Bragança (P)

43. Despedimentos de 18 trabalhadoras e trabalhadores a falsos recibos verdes na Fundação de Serralves, concelho e distrito do Porto (P) e Despedimento de 18 trabalhadoras e trabalhadores a falsos recibos verdes na Fundação de Serralves, concelho e distrito do Porto (P)

44. Classificação e requalificação do Mercado do Bom Sucesso, concelho e distrito do Porto (P)

45. Situação de incerteza e insegurança na comunidade artística por liquidação de IVA face à multiplicidade de critérios utilizados pela Administração Fiscal (P)

46. Regime de contratação de trabalhadores na Fundação de Serralves, concelho e distrito do Porto; recibo verde (P) e Regime de contratação de trabalhadores na Fundação de Serralves, concelho e distrito do Porto; recibo verde (P)

47. Construção de parque de estacionamento subterrâneo junto a Monumento Nacional, na freguesia da Ajuda, concelho de Lisboa (P)

48. Condições das instalações da Escola Superior de Dança de Lisboa (P) e Desprotecção em situações de manifesta precariedade económica (P)

49. Avaliação das condições geologias e geotécnicas da Cordoaria Nacional para instalação do Museu Nacional de Arqueologia (P)

50. Desprotecção em situações de manifesta precariedade económica (P)

51. Torre Ferroviária de Cottinelli Telmo, freguesia do Pinhal Novo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal; REFER; demolição (P)

52. Fim da isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis no Centro Histórico de Évora (P)

53. Isenção de IMT a projecto que destrói o Mercado do Bom Sucesso (P)

54. Extinção da Fundação Eugénio de Andrade (P), Extinção da Fundação Eugénio de Andrade (P) e Extinção da Fundação Eugénio de Andrade (P)

55. Incumprimento da legislação relativa ao apoio directo às Áreas pelo Ministério da Cultura; não abertura dos concursos anual e pontual (P)

56. Atraso de seis meses na publicação dos resultados concurso para Programação Cultural em Rede do QREN (P) e Atraso de seis meses na publicação dos resultados concurso para Programação Cultural em Rede do QREN (P)

57. Encerramento do Museu da Cortiça, na Fábrica do Inglês, concelho de Silves, distrito de Faro (P) e Encerramento do Museu da Cortiça, na Fábrica do Inglês, concelho de Silves, distrito de Faro (P)

58. Situação da biblioteca e respectivo acervo do ex-Instituto Português de Arqueologia (P)

59. Requalificação do Museu de Aveiro (P)

60. Classifcação do Edifício Ritz Club (P)

61. Museu do Vale do Côa, freguesia e concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda (P)

62. Classificação e requalificação do Salão Nobre da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa (P)

63. Torre ferroviária de Cottinelli Telmo, freguesia do Pinhal Novo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal (P)

64. Requalificação do Salão Nobre da escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa (P)

65. Situação de incerteza e insegurança na comunidade artística por liquidação de IVA face à multiplicidade de critérios utilizados pela Administração Fiscal (P)

66. Subsídio por mérito cultural a artistas em situação de carência económica (P)

67. Salvaguarda do sistema de captação do abastecimento de água do século XVIII à cidade de Braga designado por "Sete Fontes" de São Vítor (P)

68. Jardim Botânico de Lisboa em vias de classificação como Monumento Nacional desde 1970 (P)

69. Instalação de linhas de muito alta tensão no Douro vinhateiro - Património da Humanidade (P) e Instalação de linhas de muito alta tensão no Douro ninhateiro - Património da Humanidade (P)

70. Placa evocativa das últimas vítimas da polícia política do regime fascista, no edifício da antiga sede da PIDE em Lisboa (P)

Nos últimos dias foram ainda entregues requerimentos e perguntas ao Governo sobre Desinvestimento grave da RTP na Antena 2, Abandono do Castro de Cárcoda, Carvalhais, São Pedro do Sul, Situação de indefinição no âmbito dos apoios da Direcção Geral do Livro, Impacto da Portaria n.º 558/2010 junto da rede de bibliotecas escolares, Informações sobre fim do IMI no Centro Histórico de Évora, bem como novas questões sobre o encerramento da Biblioteca Nacional e a situação dos investigadores cujo trabalho depende do acesso ao fundo da sala de leitura geral (que em breve estarão também disponíveis online).

30 julho 2010

prestar contas - distrito do porto

Os deputados do Bloco de Esquerda eleitos pelo círculo do Porto fizeram hoje uma conferência de imprensa dando conta do trabalho que fizeram durante a sessão legislativa que agora encerra.

Está concluída a primeira sessão da legislatura iniciada em 2009. Dois traços marcam este ano parlamentar: a perda da maioria absoluta pelo PS e a deterioração da situação económica e social do país. Com o apoio do PSD, o PS impôs ao país uma política de austeridade e recessão, que deixou o país mais desigual, a economia mais frágil e a maior parte dos portugueses mais pobres.

Neste contexto, os deputados do BE deram prioridade ao combate ao desemprego, à precariedade, à recessão económica, ao congelamento dos salários, à diminuição das pensões e reformas, ao aumento dos impostos, ao desinvestimento público, à desqualificação dos serviços públicos, às privatizações, à corrupção, à especulação bolsista, à fuga de capitais para as off shore, à fraude fiscal e aos prémios, bónus e altos salários de gestores e administradores da banca e grandes empresas.

O combate do BE fez-se também pela apresentação de propostas capazes de diminuir o desperdício de dinheiros públicos, de introduzir mais justiça fiscal, de defender políticas sociais de apoio aos mais desprotegidos – os desempregados, os pensionistas, os pobres – de relançar a economia nacional, de aumentar o emprego, de salvaguardar os direitos de quem trabalha, de melhorar as condições de vida da população, de combater as assimetrias regionais, de desenvolver o estado social e fazer progredir os serviços públicos.

Para o BE, foi um ano de combate e de resposta, de oposição e de proposta, por políticas de esquerda que respondam à crise e de afirmação de uma alternativa à austeridade, à recessão, ao desemprego e aos PECs encomendados por Bruxelas.

Apesar de ser apenas constituído por 16 deputados, o BE foi o grupo parlamentar que apresentou o maior número de iniciativas legislativas e projectos de lei nesta sessão legislativa.

Destes, 22 projectos de lei apresentados pelo Bloco foram aprovados no Parlamento. Destacamos o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a tributação das mais valias bolsistas, por serem mudanças de grande impacto na sociedade portuguesa e para as quais o Bloco deu um contributo pioneiro.

Os três deputados do Bloco eleitos pelo distrito do Porto, no total, dirigiram ao governo 568 perguntas e requerimentos e apresentaram 36 projectos de lei e 12 projectos de resolução, tendo participado em mais de uma centena de debates públicos no distrito e realizado dezenas de visitas e reuniões com as mais diversas entidades e organismos sociais do Porto.

Eleitos por um distrito particularmente atingido pela crise e pelo desemprego e que, objectivamente, foi discriminado pelo governo em termos de investimento público, os três deputados do Bloco empenharam-se principalmente em combater os despedimentos e o encerramento de empresas, denunciar e combater as situações de precariedade, garantir os apoios sociais à população mais carenciada, apoiar o desenvolvimento económico da região, promover os serviços públicos e melhorar a vida das pessoas.

Os deputados do BE eleitos pelo Porto levaram ao Parlamento os seguintes problemas do distrito:

- a introdução de portagens nas SCUTS que atravessam a região (A28, A29, A42), que recusámos desde a primeira hora

- a privatização da gestão do aeroporto Sá Carneiro, à qual nos opomos

- o atraso na utilização das novas carruagens tram train pelo Metro do Porto e a garantia de financiamento para a expansão da rede do Metro, como prometido pelo governo na campanha eleitoral.

- as cheias provocadas pelo entubamento do Rio Tinto, cujas margens degradadas e poluição atentam contra a segurança da população

- a requalificação da linha do Tua

- o desperdício e desaproveitamento de grandes investimentos públicos, como são o caso da estação arqueológica do Freixo e do parque de energia das ondas em Vila do Conde

- a atribuição indevida de benefícios e isenções fiscais a grandes projectos privados, como são o caso, respectivamente, da demolição do Bairro do Aleixo e da destruição do Mercado do Bom Sucesso

- a ilegalidade do licenciamento do Sea Life

- a necessidade de criação de regras claras de funcionamento e financiamento dos teatros municipais

- os cortes orçamentais no Teatro São João e na Fundação de Serralves, o encerramento de cinemas no Porto, a suspensão do projecto de Cinemateca, a extinção da Fundação Eugénio de Andrade, a exclusão injustificada de estruturas do distrito dos concursos de apoio directo às artes pela Direcção Geral das Artes e o abandono e destruição do Castro de Arados

- os sucessivos atrasos no início da construção do Centro Materno Infantil do Norte – grande bandeira eleitoral do PS em 2005 - a megalomania da criação do Hospital Pediátrico do Norte no S. João, o aumento do número de portuenses sem médico de família, as mudanças introduzidas na rede de urgências hospitalares da AMP, a degradação de alguns centros de saúde, sobretudo, na zona de Campanhã.

- o encerramento de muitas dezenas de escolas, sobretudo, no interior do distrito, mas também a sobrelotação de escolas e a degradação de alguns dos edifícios

- o regime laboral dos professores das actividades de enriquecimento curricular (inglês e música) no primeiro ciclo, bem como dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual;

- os falsos recibos verdes em Serralves e nos Centros de Novas Oportunidades

- a situação dos bolseiros da Universidade do Porto e dos equipamentos de acção social no ensino superior no distrito

- o atraso nos programas de qualificação e reinserção nos bairros críticos do Porto

- o reforço da segurança e vigilância nas praias

- a discriminação de dadores de sangue em função da sua orientação sexual em serviços de saúde no Porto

-- a inclusão da comunidade cigana no Plano Nacional de Acção para a Inclusão.

- a situação no Vale do Ave e medidas para combater o desemprego e a miséria, apoiar as empresas e promover o emprego e produção

- o encerramento de empresas e os despedimentos, nomeadamente, na Quimonda, Âmbar, STCP, AEP, Carneiro/Ribas eSousa, Macvila e Mactrading, entre outras.

13 julho 2010

um passo

O recuo ontem anunciado da Ministra da Cultura foi uma grande vitória. E ainda assim tudo permanece terrivelmente na mesma.

Foi uma grande vitória porque ganhou a exigência do respeito; o Ministério da Cultura vinha afirmando que resolveria os problemas caso a caso. Ou seja, aprofundando uma lógica de mão estendida, em que o investimento público em cultura é deturpado pelo poder político e se torna numa benesse da tutela do momento aos artistas escolhidos. Foi isso que todo o sector cultural recusou a uma só voz. E foi esse o grande recuo: o Ministério vai pagar todos os contratos assinados. Venceu a cultura e a decência.

Mas tudo permanece terrivelmente na mesma porque os problemas se mantém: falta de verbas, falta de critérios, falta de estratégia, incumprimento de promessas e até da legislação. O orçamento do Ministério da Cultura continua abaixo dos 0,4% do Orçamento do Estado, os concursos deste ano que deveriam ter aberto - e ainda não abriram - ninguém sabe o que lhes acontecerá, e as informações contraditórias da tutela reproduzem-se irresponsável mas não inconsequentemente.

E não podemos esquecer que há cortes ditados pelo famigerado artigo 49º do DL 72-A/2010 que se mantêm. É cortado a 100% o financiamento de fundos para aquisição de obras; algo que não acontece em mais nenhum país da Europa. Quer isto dizer que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves não poderá cumprir os compromissos internacionais, através dos quais se mantém no circuito internacional da arte e consegue comprar obras por um valor muito inferior ao do mercado. Para poupar 750 mil euros, o Governo está a pôr em causa a única instituição de arte contemporânea portuguesa de dimensão internacional. Exagero, histerismo? Era isso que dizia a Senhora Ministra da Cultura uma semana antes de ceder sobre os cortes nos contratos…

Os resultados da contestação estão à vista, mas o percurso é longo. É essencial que o sector cultural continue a mostrar a sua força e a sua determinação na defesa da cultura, da decência, do país.

11 julho 2010

sobre a semana

A semana teve início com um grande encontro de protesto contra os cortes orçamentais no Ministério da Cultura. Foram mais de 600 os profissionais do cinema, teatro e dança de todo o país que se juntaram no Teatro Maria Matos para exigir que o Ministério da Cultura cumpra os contratos assinados e que o governo trate o sector com o respeito que merece. Essas exigências chegaram à Assembleia da Republica, pela mão do Bloco de Esquerda, que marcou um debate de actualidade sobre os cortes orçamentais na cultura, logo na quarta-feira.

Quinta-feira foi a vez de debater a petição “Antes da dívida temos direitos”: 12 mil peticionários exigem que a segurança social só cobre as dívidas dos trabalhadores independentes depois de verificar se estão ou não em causa situações de falsos recibos verdes.

O Bloco de Esquerda apresentou um projecto de resolução que previa a verificação automática através de cruzamento de dados e a cobrança da dívida, nos casos em que se detecte falso recibo verde, também ao empregador. Este projecto foi chumbado com os votos contra do PS, PSD e CDS que assim se mantêm cúmplices do crime do trabalho sem contrato.

Sexta-feira foi dia de votações. E o Bloco de Esquerda teve vitórias importantes: foram aprovados os projectos de resolução que recomendam a aplicação de critérios de qualidade no reordenamento da rede escolar e a ratificação do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais. Foi ainda aprovado o projecto de lei que reforça os direitos nas uniões de facto.

Mas a semana fica também marcada pelo debate sobre a defesa do interesse estratégico nacional: na mesma semana em que o Tribunal de Justiça das Comunidades decidiu que as participações especiais que o Estado português detém no capital da PT são ilegais, e em que ficou claro para todos que privatização da PT foi um erro que não só não serviu qualquer propósito estratégico da política económica como privou o Estado de receitas importantes, o Partido Socialista, juntamente com a direita parlamentar, chumbou os projectos de lei do Bloco de Esquerda que impediam a privatização da REN, dos CTT e da ANA.

A fechar a semana o acordo entre PS e PSD impediu a revogação do Decreto que permitirá a introdução de portagens nas SCUT a 1 de Agosto de 2010. O Bloco pediu a apreciação parlamentar do decreto e propôs a sua revogação mas a aliança do bloco central deu luz verde a mais uma medida irresponsável e socialmente injusta do actual Governo.




publicado no esquerda.net